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Falar de luta das mulheres é falar de assistentes sociais

O mês em que se comemora o Dia Internacional de Luta das Mulheres, celebrado em 8 de março, começou com tristes notícias de repercussão na imprensa nacional.  Notícias de normalização, pelo Judiciário brasileiro, de “casamento” e gravidez infantil; caso de estupro coletivo no Rio de Janeiro, estupro de mulher idosa no Paraná, além das estatísticas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que registraram, em 2025, o maior número de feminicídios da última década no Brasil.  

“Esta realidade brutal, misógina e violenta, convoca assistentes sociais a fortalecer as lutas feministas e atividades convocadas pelos movimentos de mulheres para a data e em todo o mês de março”, destaca a conselheira do CFESS Emilly Marques.  
 
Mais do que comemoração, o dia 8 de março reafirma necessidade e importância da luta histórica de todas as mulheres trabalhadoras por direitos, igualdade, existência e uma vida livre de violências. Seja no cotidiano de atuação profissional, nos movimentos de mulheres e feministas ou outros espaços institucionais. Nesse sentido, o CFESS é signatário do Manifesto Nacional do 8 de Março Unificado 2026, documento político construído coletivamente por entidades feministas e de mulheres, movimentos populares, organizações sindicais, estudantis, para realização das mobilizações alusivas à data neste ano. 
 
O tema das atividades para o 8 de março unificado é “Pela vida das mulheres! Contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1!”. Com esse grito, movimentos feministas e de mulheres promovem atos e muitas ações durante todo o mês em várias regiões do Brasil, como explica a conselheira do CFESS Emilly Marques. 
 
“Neste ano, o mote traz novamente questões centrais para nós, mulheres da classe trabalhadora. Também não dissocia nossas vidas, nossas escolhas, dos territórios que habitamos e das violações que sofremos em uma conjuntura neoliberal e imperialista. A gente se soma a tantas vozes do Brasil, da América Latina, da Palestina e do mundo. Nossa luta é internacional e não aceitaremos mais mortes e violações de nossos corpos e territórios”, afirma Marques. 

Clique aqui e acesse o Manifesto  

Essa temática é assunto para assistentes sociais por diversos motivos. Primeiro, pelos princípios do Código de Ética Profissional, que preconizam a defesa intransigente dos direitos humanos. Segundo, pela própria atuação profissional, nos equipamentos em que a categoria atende mulheres vítimas de violência, as pessoas que acessam os serviços de aborto legal e outros. Terceiro, por ser uma categoria profissional composta em maioria por mulheres (92%), conforme os dados da última Pesquisa do Perfil Profissional de Assistentes Sociais no Brasil, produzido pelo CFESS.  

A conselheira Emilly Marques destaca que há muito a ser feito no trabalho profissional na defesa da vida das meninas e mulheres. Assistentes sociais trabalham, cotidianamente, em contato com um público atendido formado por mulheres e lida com as violações de direitos que resultam do machismo, do racismo, da LGBTQIA+fobia e muitas outras violências.  Foi também nesse sentido que a campanha de gestão do Conjunto CFESS-CRESS 2023-2026 trouxe um slogan que representa o compromisso do Serviço Social: “Sou assistente social, nossas bandeiras pulsam liberdade”.    
 
Um dos cartazes lançados para a campanha aborda o tema da defesa da legalização do aborto, com o slogan: “A gente defende seu direito e respeita sua decisão”. O Serviço Social entende que não se trata de ser “contra” ou “a favor”, mas sim de compreender as violências sofridas por mulheres e pessoas que gestam e a liberdade de cada uma de decidir sobre seus corpos.   

“Lembramos ainda que o tema da radicalidade democrática também perpassou a campanha do triênio, sendo fundamental atentarmos para este ano, em que haverá processos eleitorais no Brasil, que também são perpassados por violência política de gênero”, acrescenta Emilly.  
 
Por que 8 de março? 
 
Celebra-se o Dia Internacional de Luta das Mulheres em 8 de março, data que tem origem a partir de um processo histórico ligado às lutas das mulheres trabalhadoras por direitos políticos, trabalhistas e sociais, especialmente entre o final do século 19 e o início do século 20. Não é uma data comemorativa no sentido tradicional; sua origem está associada à organização política, ao movimento operário e à luta feminista. 

“A realidade nos exige posicionamento ético e coragem revolucionária. Diante de tamanha barbárie e necessidade de reafirmamos direitos óbvios, nos insurgimos nas ruas, nos somando aos atos organizados de forma coletiva por muitas mulheres da classe trabalhadora contemplando toda nossa diversidade em um chamado à unidade e resistência, com uma mobilização que cresce e se articula no Brasil, na América Latina e no mundo”, analisa a conselheira do CFESS. 

Conheça as propostas do movimento feminista entregues ao Ministério das Mulheres e à Secretaria-Geral da Presidência da República

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